Toyota aposta em energia alternativa

Rogério Machado* (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 23/12/2016)

de Los Angeles

Mirai é o primeiro automóvel comercializado com a tecnologia FCV, que utiliza o hidrogênio

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Foto: Divulgação / Toyota / David Dewhurst

Uma sessão de testes, em Los Angeles (EUA), nos colocou em contato com a última geração do Toyota Mirai. O sedan de quatro portas se tornou o primeiro automóvel comercializado com a tecnologia FCV (Fuel Cell Vehicle) que utiliza o hidrogênio como fonte de energia.

Mirai é um termo japonês que significa “futuro” e a Toyota aposta nessa alternativa para o mundo pós-combustíveis fósseis.

Mas a marca japonesa não começou a trilhar esse caminho agora, já se passaram 20 anos desde que colocou o hidrogênio como foco de seus estudos.

O Mirai utiliza um motor elétrico montado na parte anterior, tracionando as rodas dianteiras. Porém, a eletricidade é gerada no próprio veículo através de uma reação química entre o hidrogênio e o oxigênio.

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Foto: Rogério Machado

Essa reação acontece dentro de uma câmara chamada de “Célula de Combustível” que utiliza platina nas superfícies de reação e está localizada sob os bancos anteriores.

A eletricidade gerada pela célula de combustível é utilizada para alimentar o motor elétrico e o excedente vai para a bateria. Durante a frenagem, ou desaceleração, o motor torna-se um gerador, produzindo eletricidade que é acumulada pela bateria reduzindo, assim, o consumo do hidrogênio.

O hidrogênio em forma de gás é armazenado em dois tanques muito robustos, porém leves, compostos de fibra de carbono, enquanto o oxigênio é admitido com o próprio ar.

Um dos tanques está localizado sob o assento traseiro e, o outro, logo atrás do eixo traseiro, ocupando parte do porta-malas. Sobre este último está instalada a bateria.

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Foto: Rogério Machado

O abastecimento do hidrogênio leva cerca de cinco minutos e é feito através de postos de combustível que, nesse caso, são estações específicas.

Por enquanto existem em pequeno número no Japão, no estado da Califórnia (EUA) e alguns locais da Europa. O índice de poluição é zero e, além de gerar eletricidade, o processo produz água, aproximadamente 73ml para cada quilômetro rodado.

A água é drenada automaticamente através de um orifício sob o porta-malas já que o Mirai não possui a descarga convencional. Esta drenagem pode ser feita através do acionamento de um botão no painel de comandos.

Isto pode ser útil para evitar que a água não seja lançada em um local indesejado (na garagem, no elevador, em piso de madeira, etc.). A água que sai pelo dreno é tão pura quanto o ar atmosférico.

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Foto: Rogério Machado

 Design – O Mirai chama atenção externamente pelas duas grandes tomadas de ar triangulares na parte frontal com os LEDs das luzes diurnas na vertical delas.

As entradas de ar provocam reações nem sempre positivas, mas segundo a Toyota, possuem caráter funcional devido à demanda de ar. A sigla da Toyota exibe fundo azul, enfatizando o apelo ecológico do carro.

Na traseira, por opção de estilo, a forma triangular se repete em menores dimensões nas lanternas. As laterais são marcadas por linhas e relevos, evidenciando uma forma bastante fluida com rodas de 17 polegadas.  O tamanho é praticamente o mesmo do modelo Camry, mas o peso assusta no primeiro momento: são 1.850 kg (300 kg a mais que o Camry).

O acabamento é oferecido em uma só versão e o padrão de referência é semelhante ao da família Lexus, a divisão luxuosa da Toyota. Isto inclui os bancos de couro, ajustes de ergonomia elétricos e um sistema de som, conforto e navegação de última geração.

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Foto: Rogério Machado

O painel lembra um pouco do layout do modelo Prius, com uma faixa superior estreita na qual estão montados os indicadores de velocidade e demais dados.

As linhas do painel também lembram ondas fluidas no mesmo tema do exterior do carro. O console é composto por um grande painel inclinado que concentra os comandos dos equipamentos de conforto e áudio, além da pequena alavanca de câmbio com as posições tradicionais dos automáticos.

Deslocando-a para a direita e para baixo entra em ação o freio motor para grandes declives, funcionando como frenagem regenerativa na qual o motor recarrega as baterias. O volante pode ser regulado eletricamente na altura e na profundidade.

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Foto: Divulgação / Toyota / David Dewhurst

Teste foi feito na área urbana de Los Angeles

O roteiro de testes foi desenvolvido na área urbana de Los Angeles (EUA) com um trânsito de média densidade. Antes de deixar o estacionamento pressionei o botão “Power”, localizado entre o volante e o painel de LCD, ligando os sistemas.

O próximo passo foi desativar o freio de estacionamento através de um botão à esquerda da alavanca de câmbio. Saímos para as ruas e pude perceber que o motor de 113 Kw não reclama do peso do carro, reagindo prontamente, porém, não esperem um desempenho esportivo. É comparável ao de um sedan médio convencional.

A suspensão é adequada e confortável, administrando muito bem o grande peso do carro. Os componentes que mais influenciam nesse aspecto (célula de combustível e tanques de hidrogênio) estão montados próximos ao assoalho. Sendo assim, o baixo centro de gravidade favorece a estabilidade em curvas.

O motor elétrico, acoplado a um câmbio de uma marcha, fornece toda a força necessária para uma condução suave, além de desacelerar o veículo quando o acelerador é aliviado. Embora tudo seja bastante previsível, gostamos muito do comportamento do carro.

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Imagem: Divulgação / Toyota

Na Califórnia estão disponíveis cerca de 40 estações de reabastecimento de hidrogênio e, com o Mirai apresentando uma autonomia de 500 quilômetros, isto não deve ser um grande problema, exigindo somente um maior planejamento por parte do usuário.

Este número de estações aumentará gradativamente, mas enquanto isso, a fábrica oferece 3 anos de combustível gratuito para incentivar os usuários. Quanto maior o número de veículos, maior será o feed-back para melhorar a tecnologia.

O Mirai e oferecido a um valor de US$57 mil, aproximadamente o dobro do preço de um Toyota Camry, o que nos Estados Unidos é relativamente caro, ainda mais com a gasolina barata.

No Brasil, usando o preço do Camry como referência, o modelo Mirai poderia atingir os R$ 300 mil, sem considerar incentivos relacionados à ecologia.

Acreditando no protagonismo dos propulsores a hidrogênio no futuro, a Toyota já assinala seu projeto de lançar, em 2020, durante a edição das Olimpíadas de Tóquio, uma nova versão do Mirai, com menores dimensões e com preço muito mais baixo. Veremos nas Olimpíadas…

*Colaborador

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