Vespa está de volta às ruas brasileiras

Rogério Machado* (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 28/10/2016)

vei6-calendario-vespa-1954O scooter Vespa, marca do Grupo Piaggio, é um ícone do design italiano e manteve muito da sua originalidade ao longo de décadas, mais precisamente, 70 anos. A marca italiana esteve no Brasil em diferentes períodos, entre 1958 e 1987, e gravou com profundidade a sua imagem no mercado. Desde então, o grupo Piaggio expandiu suas fronteiras, adquirindo e consolidando marcas importantes como Aprilia, Gilera, Moto Guzzi, Derbi e Sacarabeo, além de cuidar das tradicionais marcas Vespa e Piaggio.

A empresa italiana reconhece que o fato de ter se afastado do mercado brasileiro custou caro e poderia ocupar hoje posição de destaque por aqui, participando como um dos principais players. Agora volta para retomar sua história.

O mercado brasileiro também cresceu e, em 2005, passou da casa de 1 milhão de motocicletas produzidas, atingindo o seu auge em 2008, quando foram fabricadas 2.140.907 unidades. A partir daí, sofreu uma queda, mas repetiu uma boa marca em 2011 para, então, cair sucessivamente ano a ano, até 2016.

No período, a elevação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) foi maior do que a elevação do preço das motos, reduzindo significativamente as margens dos produtores, mas sem conseguir conter a queda das vendas.

a-vespa-primavera-mobilidade-puraProvavelmente, a produção deste ano não irá superar 1 milhão de motocicletas e tal situação se deve aos caminhos da economia. Porém, as perspectivas para os próximos anos são positivas. No mercado global, as previsões para o crescimento do transporte sobre duas rodas, até 2018, têm apontado uma elevação significativa, exatamente nas regiões com menor influência da sazonalidade ambiental, enquanto nos EUA e Europa experimentarão um pequeno declínio.

As análises indicam que a Ásia e a região do Pacífico apresentarão maior crescimento, seguidas, à distância, por África e Oriente Médio. Finalmente, em terceiro lugar, as Américas do Sul e Central. É nesse cenário, no mínimo promissor, que a Piaggio retorna ao País, desta vez através de um empreendimento da Asset Beclly, que, apesar do nome, é uma empresa brasileira que se dedica ao fomento da atividade industrial com grupos de investidores cuidando da vinda das empresas e da elaboração do business plan.

A vinda da Piaggio contará com um peso pesado do mercado das duas rodas: ela será presidida por Longino Morawski, profissional com experiências muito bem sucedidas na General Motors, Toyota e, ultimamente, na Harley-Davidson, onde provocou, definitivamente, uma revolução, difundindo a marca no mercado.

Estratégia para o Brasil – O plano de entrada da Piaggio será colocado em prática através de duas etapas. A primeira delas se desenvolverá entre 2016 e 2018 e consiste na importação de veículos completos ou CBU (Complete Built-Up).

as-possibilidades-de-customizacao-sera-numerosas-aqui-uma-vespa-gts-vestida-para-a-estradaDe 22 de outubro até o fim desse ano, a empresa projeta comercializar 2.000 Vespas, incluindo uma série especial, de mil unidades, com numeração destacada e a imagem da bandeira nacional. Essa série receberá duas faixas laterais com as cores da bandeira italiana e os clientes receberão placas comemorativas que incluem os números de chassis. Essa série usa como base o modelo Primavera (150cc) e já teve o preço divulgado: R$27,93 mil.

Em 2017, o plano é superar as 12.000 unidades vendidas, abrindo campo para a segunda etapa que prevê a implantação de uma unidade de montagem na Zona Franca de Manaus (AM), no ano seguinte. Esta planta terá capacidade produtiva de 35 mil scooters, com possibilidades de ampliação.

A produção em Manaus será em CKD (Completely Knocked Down) com a adoção de componentes importados e nacionais, objetivando reduzir o custo final. É interessante notar que diversos fatores contribuem para a difusão crescente dos veículos de duas rodas por aqui. O primeiro é a própria situação caótica dos grandes centros, com restrições de estacionamento e baixíssima velocidade de deslocamento para os automóveis.

Somem-se a isto os fatores consumo e custo de combustível e o transporte coletivo mal administrado ao longo de décadas. Estes aspectos associados à imposição da redução da emissão de gases já provocaram a adoção em massa dos transportes de duas rodas em outras partes do mundo e parece que experimentaremos essa dinâmica por aqui.

A “invasão” de scooters, chamada de scooteirização, é um fenômeno observado na Ásia, Oriente Médio, Itália e outros países.

A América do Norte também apresentou esta tendência e não foi maior devido aos baixos preços da gasolina praticados naquele mercado. Os indicadores mostram que o mercado dos scooters tem crescido no Brasil e a Piaggio, protagonista de peso dessa categoria, não ficaria de fora.

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Vespa Primavera (125 e 150cc)

A Piaggio iniciará sua participação aqui com os modelos Primavera (125cc e 150cc), Sprint (150cc), 300 GTS (300cc) e a luxuosa 946 Emporio Armani. A Primavera e a Sprint dividem o mesmo chassis e motor, mas apresentam algumas diferenças externas como o formato dos faróis (redondo na Sprint e retangular na Primavera), além da decoração do para-lama anterior aplicada na Primavera. A Primavera 125cc foi o segundo (e último) modelo que a Piaggio revelou o preço: R$22,89 mil. As rodas da Sprint são maiores, resultando em uma ligeira elevação da altura do solo.

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Vespa Sprint (150cc)

No topo da linha, a 946 apresenta outro chassis, mais longo, com a mesma mecânica 150cc. O modelo se destaca pelo desenho arrojado do banco e da lanterna traseira. O padrão da pintura é especial, evidenciando a assinatura da alta costura Armani. A Vespa 300 GTS segue o desenho clássico da marca e recebe uma tecnologia de ponta que coloca a segurança em evidência. Os freios são ABS e, além disso, ela está dotada de controle de tração. O câmbio CVT dispensa operação do usuário.

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Vespa 946 Emporio Armani

Experimentamos recentemente, na Itália, o modelo 250 GTS e a sua versatilidade é realmente surpreendente.

Boutiques fazem parte da nova estratégia

A Piaggio prepara um novo sistema de distribuição que conta com boutiques localizadas em shoppings centers para a função de show-room, vendas e assistência técnica. Um dos investidores da Asset Beclly, um italiano radicado no Recife (PE), Santo Magliacane, evidencia que “não iremos construir simples concessionárias. Nosso projeto exclusivo irá conceber boutiques para a comercialização dos produtos. Como lidamos com scooters premium, acreditamos que elas merecem um ambiente sofisticado, elegante e, ao mesmo tempo, tecnológico, exatamente como é a Vespa.”

Esta visão encontra plena convergência nas palavras do presidente do grupo no Brasil, Longino Morawski: “Com as nossas lojas-conceito nós concebemos um ambiente inédito, um novo estilo de vender, que, por sua vez, é capaz de proporcionar experiências únicas. Acreditamos que o seu efeito também será um gerador de vendas adicionais.”

O pontapé inicial será dado através de lojas no Shopping JK Iguatemi e no Iguatemi Campinas, ambos no estado de São Paulo, prometendo revolucionar o setor também no ambiente de vendas. Até o fim do ano, outros shoppings receberão “boutiques” Vespa.

Desde a década de 1970, a indústria de transportes tem investido homeopaticamente no design retrô, invocando formas clássicas que ficaram eternizadas no inconsciente coletivo. Essa tendência aconteceu até mesmo aqui, no Brasil, em 1974, com o MP Lafer, que utilizava a plataforma Volkswagen, mas exibia a forma de um MG inglês de 1936.

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Vespa 300 GTS

De lá para cá, foram dezenas de modelos retrô produzidos por italianos, franceses, alemães e japoneses com sucesso. Chrysler, Honda, Toyota, Volkswagen e Fiat, somente para citar algumas, fizeram suas incursões nesse cenário. Parece que esse apego ao design do passado se mistura a uma forma de nostalgia, fazendo surgir um apelo emocional.

No mundo das motocicletas esse fenômeno foi observado na mesma época e, um exemplo do qual me recordo, a Yamaha SR500 chegou ao mercado em 1978 revivendo o desenho e as formas clássicas inglesas.

Atualmente, o estilo está presente em diversas marcas e com muitas opções, lembrando também da febre das motocicletas cafe-racers, customizadas a partir de modelos mais novos em uma onda que se espalhou por todo o mundo, trazendo de volta uma vez mais o design clássico.

No mundo dos scooters essa nostalgia parece que nunca perdeu força e, com o retorno confirmado da Vespa para o Brasil, teremos a oportunidade de utilizar e conviver novamente com esse simpático veiculo nas nossas ruas.

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Fotos: Divulgação / Grupo Piaggio / Vespa

É interessante ressaltar que, enquanto no Brasil, os shopping centers ainda experimentam possibilidades de ascensão, ainda que colhidos pelo momento econômico, no primeiro mundo essa modalidade de arranjo comercial esta passando por transformações.

O mega empreendedor alemão da área, Allan Zeman, dono do grupo LKF, considera que a era digital já esta transformando os shoppings centers e que, no futuro, esses locais serão, principalmente, espaços de convívio, lazer, entretenimento e lifestyle, reduzindo significativamente sua função varejista.

*Colaborador

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