Renault Sandero R.S – esportivo de corpo e alma

José Oswaldo Costa (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 02/09/2016)

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Entre janeiro e julho desse ano, foram comercializadas 32.114 unidades do Renault Sandero. Isso significa uma média mensal de cerca de 4.587 unidades. Quando lançou a versão mais apimentada do hatch compacto, a RS, a montadora tinha a expectativa de vender entre 150 e 200 unidades/mês.

Porém, os números apresentados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) contemplam todas as versões de cada veículo, sem distinção. Portanto, não temos como contabilizar quantas unidades emplacadas do Sandero em 2016, que mostramos anteriormente, referem-se ao RS. Da mesma forma, não é possível avaliar se as pretensões da Renault, na sua apresentação, foram plenamente atingidas. Certo é que, hoje, o hatch ocupa a 9ª colocação no ranking dos automóveis mais vendidos do Brasil.

Recebemos uma unidade do Sandero RS para avaliações. Logo de cara, o visual agressivo impressiona e chama atenção. A unidade que recebemos tinha carroceria na cor branca. Dessa forma, as carcaças dos retrovisores, o local de fixação da placa na traseira e as bonitas rodas em liga leve de 17 polegadas (pneus 205/45 R17), todos na cor preta, se destacavam bastante. Na mesma cor eram as faixas laterais, exclusivas da versão.

Outro diferencial são as luzes diurnas em LED, fixadas nas extremidades do para-choque dianteiro. Na grade do radiador, logo abaixo do tradicional símbolo da Renault, está posicionada a sigla RS. Na traseira, ela aparece no lado direito da tampa do porta-malas. No esquerdo, a montadora francesa aproveitou o próprio nome da marca e acrescentou o Sport abaixo dela.

GEDSC DIGITAL CAMERAOutro toque exclusivo são os acabamentos em cinza dos para-choques dianteiro e traseiro (que foram redesenhados), bem como a ponteira de escapamento dupla, responsável por um “ronco” que é verdadeira música para os ouvidos dos amantes da velocidade. Completam o pacote faróis e lanternas traseiras com máscara negra. Sendo um exemplar esportivo, não poderiam faltar o spoiler dianteiro, o aerofólio traseiro e as saias laterais. Essas últimas com um adesivo Renault Sport.

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No interior, destaque para os bancos esportivos e envolventes. Eles são majoritariamente pretos. A parte superior, bem como os encostos de cabeça (que têm a sigla RS bordada), é na cor cinza-claro. Duas faixas, vermelha e cinza-claro, atravessam o restante do banco, na vertical. As costuras são vermelhas. Os bancos traseiros são mais discretos e contam, somente, com as faixas verticais.

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No painel, as mudanças em relação às versões “mansas” do Sandero são mais discretas. Chama atenção o volante, de boa empunhadura, com desenho igual ao do Clio RS europeu. A base do raio central é vermelha e traz o RS para diferenciar ainda mais. Tanto o volante quanto o pomo da alavanca de mudanças de marchas apresentam costuras vermelhas. Os pedais esportivos são em alumínio.

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No quadro de instrumentos, o grande diferencial é o velocímetro que, de acordo com toda a linha RS, traz fundo na cor cinza. Os dois outros mostradores, posicionados à direita e à esquerda, tem o fundo preto. Os instrumentos têm novos grafismos.

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Mecânica – A aparência, conforme descrevemos anteriormente, é digna de um esportivo. Mas, é embaixo do capô que se encontra a grande (e vital) mudança. O Sandero é o primeiro modelo RS com foco em um mercado fora da Europa. Ele foi desenvolvido pela Renault Sport, divisão esportiva da montadora francesa.

O motor 2.0 16V é o mesmo utilizado no utilitário compacto Duster. Com as alterações feitas, ele desenvolve 150 cv com etanol e 145 cv com gasolina. O torque é de 20,9 kgfm e 20,2 kgfm, respectivamente. A relação peso/potência é de 7,74 kg/cv.

Em relação ao Sandero GT-Line, “primo” que, de esportivo, só tem a roupa, já que utiliza motor 1.6, a diferença é de 44 cv. De acordo com a Renault, o Sandero RS leva 8 segundos para sair da imobilidade e atingir os 100 km/h. A velocidade máxima, ainda segundo a montadora, é de 202 km/h. O modelo é arisco e reage prontamente ao acelerador. O conta-giros sobe rapidamente, mostrando que o compacto não está para brincadeiras.

O câmbio manual é de 6 marchas, com engates precisos. O curso é um pouco longo demais. Uma novidade em relação às demais versões é a adoção da direção eletro-hidráulica, leve em manobras e com o peso certo em velocidades mais altas.

A divisão esportiva da Renault também fez um ótimo trabalho na reconfiguração da suspensão. Molas, amortecedores, batentes e barras estabilizadoras foram recalibradas. As molas são 92% mais duras na dianteira e 10% na traseira. O Sandero RS é firme e confiável, sem ser desconfortável. Ajuda muito no bom desempenho em curvas ele ser mais baixo (2,6 centímetros). É muito divertido guiá-lo em velocidades mais altas em trechos sinuosos.

Além desse desempenho diferenciado, também transmite muita segurança ao condutor os freios a disco nas quatro rodas. Eles são de 280 mm na dianteira e de 240 mm na traseira. Completam esse belo pacote os controles eletrônicos de tração e estabilidade, exclusividades dessa versão esportiva.

O modelo conta com o sistema RS Drive, que altera o mapeamento do motor. O motorista pode usá-lo no modo Standart, onde o foco é a economia de combustível. Inclusive, há um indicador no painel de instrumentos para o melhor momento para a troca de marchas. Nesse modo, o controle de estabilidade funciona 100%. Sempre que o carro é ligado, ele encontra-se no modo Standart.

GEDSC DIGITAL CAMERAOutra opção é o modo Sport, com o motor ficando mais “bravo”, que mantém o controle de estabilidade ativo, mas sem atuar o tempo todo. Nele o pedal fica com respostas mais rápidas, o ronco do motor é mais esportivo, a desaceleração mais lenta, a marcha-lenta aumentada para 950 rpm e há um alerta sonoro da troca de marcha.

Por fim, o condutor pode desligar por completo o controle de estabilidade (mantendo o botão pressionado), entrando no modo Sport+, o que significa dizer que o motor continua mapeado para obter o máximo de rendimento. São mantidos os demais recursos do modo Sport.

O botão de acionamento do sistema está localizado no console central, abaixo do sistema de ar-condicionado e dividindo espaço com os comandos dos vidros elétricos traseiros.

O modelo é vendido com direção eletro-hidráulica, faróis de rodagem diurna em LED, ar-condicionado automático de uma zona, vidros elétricos dianteiros e traseiros, banco do motorista regulável em altura, piloto automático (controlador e limitador de velocidade), assistente de partida em rampas e sistema multimídia com tela sensível ao toque de 7 polegadas, entre outros. O único opcional são as rodas de 17 polegadas que equipavam a versão avaliada, ao preço de cerca de R$1 mil. Se não fizer questão delas, o comprador levará para casa rodas de 16 polegadas calçadas com pneus 195/55 R16.

GEDSC DIGITAL CAMERAO Renault Sandero é um legítimo esportivo, tanto em comportamento quanto em desempenho. As arrancadas são vigorosas e sua capacidade de enfrentar trechos com muitas curvas, sem causar sustos ao condutor, realmente impressiona. É um veículo na medida para os saudosos, aqueles que se acostumaram com a presença de modelos como VW Gol GTi; Ford Escort XR3 e Chevrolet Kadett GSi, por exemplo.

Nos últimos tempos, acostumamos a ter em nosso mercado veículos com desempenho fraco trajando roupa de esportivo. Ou seja, apenas imagem e nada mais. Não é o caso do Sandero RS 2.0 16V, definitivamente. Ele é um hatch cativante e desenvolvido para agradar os aficionados em velocidade por um preço razoável. Falando nisso, na tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o preço é R$60,86 mil.

O senão fica para o acabamento interno. A Renault poderia ter caprichado mais em um veículo desse preço. A origem em um segmento mais “humilde” não explica tanto plástico rígido nesta versão, que é topo de linha e diferenciada. O painel das portas, por exemplo, merecia material melhor, tanto visualmente quanto ao tato. Nem que fosse, ao menos, na região de apoio para os braços.

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O mesmo ocorre com o painel, com materiais idênticos aos utilizados nas versões com motor 1.6, e muito mais baratas. Também deveriam ser oferecidos, ao menos como opcionais, outros airbags além dos dois frontais obrigatórios.

Mecanicamente e no visual externo, a montadora francesa acertou em cheio com essa versão Renault Sport. Agora é só dar uma olhada, com mais carinho e atenção, para o interior. Muito pouco para tornar ainda melhor um carro que oferece qualidades que andavam em falta no nosso mercado.

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Fotos: José Oswaldo Costa

 Ficha Técnica

✔ Velocidade máxima — 200/202 km/h (gasolina/etanol)

✔ 0 a 100 km/h — 8,4/8,0 segundos  (gasolina/etanol)

✔ Potência — 145/150 cv (gasolina/etanol)

✔ Consumo Médio Gasolina — 8,1 km/l (cidade) e 10,7 km/l (estrada)

✔ Consumo Médio Etanol — 5,7 km/l (cidade) e 7,5 km/l (estrada)

✔ Distância entre eixos — 2,59 metros

✔ Comprimento — 4,07 metros

✔ Largura — 1,73 metro

✔ Altura — 1,50 metro

✔ Capacidade do porta-malas — 320 litros

✔ Capacidade do tanque — 50 litros

✔ Pneus/ Rodas — 195/55 R16 (opcional 205/45 R17)

Outras fotos do Sandero RS: www.flickr.com/photos/detalhauto

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