Fiat amarga maior queda entre montadoras

José Oswaldo Costa* (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 06/07/16)

Segundo dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), no último dia 4, o segmento de automóveis e comerciais leves experimenta uma retração nos emplacamentos da ordem de 25,09%, no acumulado do ano (de janeiro a junho), na comparação com o mesmo período de 2015.

Nos seis primeiros meses do ano passado, foram comercializadas 1.269.817 unidades. Agora em 2016, esse número caiu para 951.206 unidades. A boa notícia é que, na comparação com maio, junho teve uma alta de 2,62%, tendo sido emplacadas 166.410 unidades contra 162.161 unidades do mês anterior.

Esses números são do mercado automotivo como um todo, o que acaba ocultando a realidade das principais montadoras do país ( Fiat, Ford, General Motors e Volkswagen), de forma individual, nesse ano de forte retração nas vendas. Fizemos um levantamento, levando em conta sempre o período de janeiro a maio, para os anos de 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016.

Nos cinco primeiros meses de 2013, Fiat, Ford e GM experimentaram o melhor momento de vendas, no segmento de automóveis, dos últimos cinco anos. A Fiat emplacou 254.490 unidades e a GM foi responsável pelas vendas de 210.257 unidades. Já a Ford, comercializou 113.986 unidades. Para a VW, o melhor ano foi 2012, com 223.420 unidades.

Já em 2016, entre janeiro e maio, uma significativa queda, principalmente para a Fiat Automóveis. A montadora italiana comercializou, nos cinco primeiros meses deste ano, 77.047 automóveis. Ou seja, retração de 69,72%. Outra que experimentou forte retração foi a VW: 85.259 unidades ou – 61,84%.

Ford e GM passaram por retração menor, mas nem por isso, menos significativa. A Ford emplacou, no mesmo período, 61.789 unidades, queda de 45,79% na comparação com 2013. A General Motors vendeu 117.238 unidades, ou queda de 44,24%, a menor entre as quatro grandes. E esse resultado lhe rendeu a liderança no ranking de vendas de automóveis.

Utilizando o mesmo período de meses (os cinco primeiros), e os mesmos anos, passamos para a análise do segmento de comerciais leves. Entre 2012 e 2016, o melhor ano para a Fiat foi 2014. Para a Ford, 2012. Para a GM e a VW, o melhor ano de vendas de comerciais leves foi 2013.

Nesse segmento específico, a maior queda foi da GM. Em 2013, foram vendidas 39.739 unidades contra as 12.163 unidades de 2016. Retração de 69,39%. A segunda maior queda foi da Ford que, em 2012, comercializou 12.078 unidades. Entre janeiro e maio desse ano, o número de emplacamentos caiu para 4.956 unidades, o que significa queda de 58,96% no comparativo.

Em 2013, a VW vendeu, no segmento de comerciais leves, 46.360 unidades. Em 2016, redução para 20.572 unidades (- 55,62%). Se foi a montadora que experimentou as perdas mais significativas no segmento de automóveis, a Fiat foi a que menos retraiu nas vendas de comerciais leves. Em 2013 havia emplacado 80.429 unidades. Em 2016, foram 41.207 unidades, retração de 48,76%.

Total Por fim, o levantamento traz as perdas somando os dois segmentos (automóveis e comerciais leves), retrato mais fiel do mercado nacional nos últimos cinco anos. Para todas as quatro montadoras, o melhor ano das vendas dos segmentos somados foi 2013.

Entre janeiro e maio daquele ano, a líder foi a Fiat, tendo emplacado 316.267 unidades. Em segundo lugar aparecia a Volkswagen com suas 269.261 unidades. Na terceira colocação ficou a GM (249.996 unidades). Em quarto lugar do ranking nacional estava a Ford, com 125.893 unidades emplacadas.

Em 2016, no mesmo período, a Fiat acumulou a maior perda. A montadora italiana vendeu 118.254 unidades na soma dos segmentos de automóveis e comerciais leves, retração de elevados 62,61%. Com esse resultado, passou a ocupar a segunda colocação do ranking.

A GM comercializou 129.401 unidades, com queda de 48,24% nas vendas. Apesar de não acusar a menor perda no período comparativo, esse resultado lhe rendeu a liderança no mercado nacional.

A segunda maior redução coube à Volkswagen. Entre janeiro e maio desse ano, a montadora alemã emplacou 105.831 unidades, ou seja, queda de 60,69% na comparação com o mesmo período de 2013. A menor retração verificada no levantamento foi da Ford. Agora em 2016, a montadora vendeu 66.745 unidades (- 46,98% em comparação com 2013).

Para o estudo comparativo foram utilizados dados fornecidos pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

FinanciamentosPara agravar um pouco mais a situação da montadora italiana, o resultados dos financiamentos de veículos zero quilômetro não foram nada animadores em maio.

Segundo a Cetip, empresa instituída pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 1984 e que opera o Sistema Nacional de Gravames (SNG), no mês de maio a Volkswagen ultrapassou a Fiat nas vendas de veículos financiados. A montadora ficou com a segunda colocação, com 12.223 unidades. A Fiat teve 11.934 unidades financiadas e o terceiro lugar. Na primeira posição ficou a General Motors, com 16.246 unidades. O líder em financiamentos no mês de maio foi o Chevrolet Onix, com 6.119 unidades.

MudançasEm outubro do ano passado foi anunciada a saída de Cledorvino Belini do comando da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), o que foi efetivado a partir do dia 1º de novembro. A partir dessa data, o comando do grupo foi entregue a Stefan Ketter, até então, vice-presidente mundial de manufatura.

Coincidência, ou não, observa-se através dos números forte retração, especificamente nas vendas da Fiat Automóveis, desde então. Nos últimos sete meses da presidência de Belini (abril a outubro de 2015), a montadora vendeu 176.651 unidades, ou algo em torno de 25.236 unidades/mês, no segmento de automóveis.

No segmento de comerciais leves, no mesmo período, foram comercializadas 69.403 unidades, cerca de 9.915 unidades/mês. Somando os dois segmentos, durante os últimos meses da administração Belini foram vendidas 246.054 unidades (35.150 unidades/mês).

Verificando-se o período de novembro de 2015 a maio de 2016, sete primeiros meses de Ketter como presidente, a Fiat emplacou 127.371 unidades (18.196 unidades/mês) no segmento de automóveis, ou seja, retração de 27,90%.

Dentro desse mesmo período de nova administração, no segmento de comerciais leves, foram vendidas 57.912 unidades, algo em torno de 8.273 unidades/mês. Houve uma queda de 16,56% nas vendas, mesmo com a chegada da nova picape média-compacta, a Toro, bem aceita pelo mercado.

Por fim, somando-se os dois segmentos (automóveis e comerciais leves), a administração atual emplacou 185.283 unidades (cerca de 26.469 unidades/mês), ou seja, retração de 24,70% na comparação com os sete últimos meses de Belini no comando do grupo FCA.

Novamente, utilizamos dados fornecidos pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

*Colaborador

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